1. Por que olhar para 2026 agora?
Se tem uma coisa que o mercado de sneakers já provou é que ele não é “só modinha”.
Relatórios recentes estimam que o mercado global de sneakers já passa da casa dos US$ 100 bilhões e pode quase dobrar até o início da próxima década, com crescimento médio anual em torno de 7%.
Ao mesmo tempo, o mercado de calçados esportivos como um todo (running, training, lifestyle) continua crescendo num ritmo estável, na faixa de 3–4% ao ano.
Tradução prática disso pra quem quer restaurar e revender sneakers:
- tem mais gente comprando tênis,
- mais lançamentos chegando todo ano,
- e mais pares encostando em guarda-roupas, brechós e marketplaces — exatamente o “combustível” que você precisa pra restaurar e lucrar.
Olhar para as tendências de sneakers 2026 não é só curiosidade fashion.
É estratégia de estoque: você aprende a garimpar hoje os pares que vão estar em alta amanhã.
2. Os grandes movimentos do mercado até 2026
2.1. Mercado aquecido + revenda crescendo
Relatórios de mercado mostram três movimentos importantes:
- Crescimento constante do mercado de sneakers (linha reta, pra cima).
- Segmento lifestyle ganhando peso dentro dos tênis esportivos.
- Mercado de revenda e “secondary market” movimentando centenas de milhões de pares por ano.
Na prática isso significa:
- Muita gente comprando lançamentos que depois encostam.
- Um fluxo enorme de pares indo parar em brechós, outlets, OLX, grupos de Facebook, etc.
- Mais oportunidade pra quem sabe limpar, reparar, reidratar couro, clarear sola, recuperar cabedal.
Você não depende só de collab hypada.
Dá pra ganhar dinheiro restaurando modelos base, GR, running antigo, tênis de treino… desde que você saiba conectar isso às tendências.
3. Tendências de estilo e cor que devem seguir fortes em 2026
Várias publicações de moda e streetwear vêm apontando alguns caminhos pros sneakers de 2024/2025 — e é bem provável que eles sigam fortes (e desdobrados) em 2026.
Vou traduzir isso pro “idioma de quem garimpa”:
3.1. Retro runners, terrace e vibe anos 90/2000
Silhuetas tipo:
- tênis de corrida anos 90/2000,
- modelos “terrace” / futsal / indoor,
- solado baixo, perfil slim, cara de sneaker “simples” de antigamente…
…estão em tudo: dos editoriais de moda aos pés de quem nunca chutou uma bola.
Isso é ótimo pra restauração porque:
- muitos desses modelos existem há décadas,
- há versões antigas em couro, camurça, mesh — materiais super restauráveis,
- você encontra pares bem detonados, mas com estrutura boa, por preços ridículos.
Quando você vê trends de Samba, Gazelle, runners clássicos, dad shoes “sexy”… pense:
“Quais modelos antigos baratinhos têm essa mesma energia?”
É nesses pares que você quer colocar as mãos.
3.2. A cartela de cores: vermelho, candy colors, metalizados e animal print
Uma análise de tendências de moda aponta que, para 2025, algumas cores ganham destaque nos sneakers: vermelho (em vários tons), rosa suave, azul claro, metalizados e animal print tratado como “neutro fashion”.
Como isso te ajuda na restauração:
- Vermelho
- Procure pares antigos com detalhes ou painéis vermelhos.
- Limpeza profunda + revitalização de cor deixa o tênis com cara de lançamento.
- Quem não acha o lançamento caro ou esgotado pode topar um par restaurado com vibe parecida.
- Candy colors (rosa, azul claro, verde suave)
- Tênis em couro ou sintético claro podem ser teñidos ou customizados em tons pastel.
- Tênis de tecido podem ganhar tingimento suave ou detalhes pintados à mão.
- Metalizados e brilho discreto
- Painéis em couro liso aceitam bem pinturas metalizadas com acabamento profissional.
- Dá pra pegar um sneaker básico e transformar em “edição festa”, cobrando mais.
- Animal print como neutro
- Qualquer sneaker em cores sólidas pode receber detalhes de animal print (swoosh, listras, heel tab).
- Isso conversa direto com o que as revistas de moda estão chamando de “print statement”.
Você não precisa acertar a cor exata da passarela.
O jogo é captar a direção da tendência e aplicá-la de forma usável no dia a dia.
3.3. “Vintage look” e envelhecido de propósito
Outro movimento forte: o look “aged” — solas levemente amareladas, couro com cara de usado, entressola creme em vez de branco cirúrgico.
Isso é ouro pra quem restaura, porque:
- aquela sola que já não volta pro branco absoluto pode ser trabalhada pra ficar uniformemente creme,
- riscos leves, marcas de uso, dobras… tudo pode ser polido e controlado, em vez de apagado,
- o par ganha uma estética “vintage desejada” em vez de “velho descuidado”.
Você não está escondendo a idade do par.
Você está dando direção pra ela.
3.4. Sustentabilidade e circularidade (mais do que discurso bonitinho)
Matérias recentes mostram que grandes marcas vêm testando modelos mais circulares e sustentáveis — como projetos de tênis compostáveis, experimentos de reciclagem de cabedal e programas de recompra.
Ainda há muitos desafios técnicos, mas a mensagem pro consumidor é clara:
“Cuidar melhor do que você já tem é parte do futuro da moda.”
Isso coloca quem restaura sneakers num lugar muito valioso:
- você ajuda a prolongar a vida útil de pares que iriam pro lixo,
- oferece uma alternativa mais acessível do que comprar sempre lançamento,
- se posiciona como solução prática num mercado que fala cada vez mais de sustentabilidade.
Na comunicação dos seus serviços, vale martelar isso:
- “Restaurar é consumir melhor.”
- “Um bom tratamento hoje = menos lixo amanhã.”
- “Upgrade de visual sem precisar de um par novo.”
4. O que entra no radar de garimpo até 2026?
Pra facilitar sua vida, pensa em três grandes “cestos” de oportunidades:
4.1. Cesto 1 – Clássicos esquecidos
- Running antigos (Nike, Adidas, Asics, Mizuno, Puma…) com sola íntegra.
- Tênis de futsal / indoor / terrace com cabedal de couro ou camurça.
- Pares monocromáticos em cores neutras (branco, preto, cinza, bege).
Como usar as tendências:
- trabalhar cores da moda (vermelho, candy colors, detalhes metalizados),
- dar acabamento “vintage” quando a sola já tem um amarelo interessante,
- reposicionar o par como “retro runner”, “terrace casual”, “sneaker vintage”.
4.2. Cesto 2 – Pares destruídos, mas estruturados
Sabe aquele tênis que está:
- muito sujo,
- com cadarço horroroso,
- midsole encardida,
- porém sem rachadura, sem mofo profundo, sem descolamento grave?
Ele é candidato perfeito pra:
- lavagem profunda,
- reidratação de couro,
- repintura seletiva,
- troca de palmilha e cadarço.
Com o conhecimento certo, você transforma lixo visual em produto desejável.
4.3. Cesto 3 – “Quase hype”, mas esquecido
Nem todo mundo consegue pegar Jordan, Dunk ou collab hypada pra restaurar… mas:
- tem muito modelo médio de marca grande que encostou,
- colorways antigas que lembram as trends atuais (vermelho, blocos de cor, neon discreto),
- pares com shape legal, porém sujos e desvalorizados.
Esses pares, bem trabalhados, podem ser vendidos como:
- “alternativa acessível” inspirada em tal trend,
- opção pra quem quer um visual atual sem gastar fortuna.
5. Como transformar tendência em dinheiro de verdade
Aqui entra o lado “Entre Cadarços” da conversa:
não adianta só saber qual cor vai bombar — você precisa de processo.
Algumas ideias práticas:
5.1. Monte mini coleções temáticas
Em vez de restaurar pares soltos, trabalhe em micro coleções, por exemplo:
- “Coleção Vermelhos 2026” – pares com detalhes em vermelho, de diferentes marcas.
- “Runners Retrô” – só tênis com visual anos 90/2000, todos com acabamento vintage.
- “Pastel Pack” – pares em candy colors, focados em público feminino ou genderless.
Isso facilita:
- criar fotos bonitas pro Instagram,
- comunicar valor (“não é só um par aleatório, é parte de uma curadoria”),
- justificar preços melhores.
5.2. Conte a história do antes e depois
Lembra: o mercado de sneakers gira em torno de histórias.
Mostre:
- quanto você pagou no par bruto,
- qual era o problema (sujeira, cor apagada, sola amarelada),
- o que você fez (lavagem X, revitalização Y, acabamento Z),
- o resultado + posicionamento na trend (“agora ele conversa com a onda dos runners retrô de 2026”).
Isso não só vende o par, como também vende seu serviço.
5.3. Use as tendências como gancho de conteúdo
Alguns tipos de conteúdo que ajudam a puxar a galera pro seu funil:
- “3 modelos antigos que podem voltar com tudo em 2026”
- “Como transformar um running dos anos 2000 em um sneaker atual”
- “Guia rápido de cores que vão bombar nos tênis em 2026 (e como aproveitar os pares que você já tem)”
Esse tipo de post é perfeito pra:
- blog (atrair via Google),
- Instagram (carrossel),
- e-mail da Entre Cadarços (onde você aprofunda e vende curso/serviço).
6. Fechando: tendências passam, técnica fica
Tendência é bússola, não prisão.
O que vai garantir seu lugar no mercado de sneakers em 2026 não é adivinhar exatamente qual collab vai estourar, e sim:
- saber avaliar bons pares usados,
- dominar técnicas de limpeza e restauração,
- aprender a ligar o que você faz às conversas que já estão acontecendo (cores, nostalgia, sustentabilidade).
É justamente isso que você vai treinando a cada par restaurado — e que pode virar renda constante se você tiver método.
E, claro, esse é o tipo de coisa que a gente vai destrinchar cada vez mais na newsletter Entre Cadarços: radar de tendência na medida certa, com o pé na prática e na grana.

